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  • Ísis Dantas

Um doce suspiro

Atualizado: 22 de out. de 2019


Foto: Ísis Dantas

A história de Rosa Melo teve momentos muito amargos. Dos 40 anos de vida, 18 foram de tentativas. Tentativas de sobrevivência. Agressões físicas, psicológicas e até ameaça de morte fizeram parte de uma rotina de dor. Mas a vida da mineira de Paracatu ganhou um novo suspiro em novembro do ano passado, quando ela decidiu pôr fim ao relacionamento abusivo. Mãe de três filhos e desempregada, enfrentou todas as dificuldades na nova caminhada.


Quem vê o sorriso estampado no rosto de Rosa, não imagina tudo que ela enfrentou para chegar até aqui. As marcas das agressões não eram cravadas apenas nela, mas nos filhos, de 11, 6 e 2 anos, que presenciavam cada violência.


Foram anos tentando sair do relacionamento. Entre idas e vindas, Rosa mantinha a esperança. Chegou a denunciar o ex-companheiro. Mas foi aconselhada por familiares e pelo próprio agressor a retirar a queixa. Pesava o valor do casamento, a dependência financeira e a criação dos filhos.


A cada volta, outra violência. O ex-marido fazia Rosa desacreditar dela mesma. Para ele, ela não conseguiria viver fora do casamento. Nenhum outro homem se interessaria por ela, dizia o então companheiro. As humilhações faziam Rosa sentir-se feia. Ele ia além. Dizia ainda que ela tinha “sorte por ter casado com um cara bonito”. Rosa cedia. Não acreditava em um futuro diferente. Mas, ao conhecer uma rede de apoio às vítimas de violência, há quase um ano, deu fim ao martírio. Amparada por profissionais, com apoio psicológico, capacitação e respaldo jurídico, Rosa recomeçou a vida.


Neste caminho de novas descobertas, algumas pessoas foram essenciais. Uma delas é delegada Grace Justa. Junto com profissionais da Universidade Católica de Brasília e do Instituto Umanizzare, a delegada se dispôs a interferir na violência. Elevou a autoestima de Rosa.


Hoje, Rosa não busca só novos horizontes, sem medos, traumas e violência, como ajuda outras mulheres a saírem de relacionamentos abusivos. A vontade de viver e a alegria de ver a vida encorajam outras vítimas de violência a romperem o ciclo e acreditarem em um novo amanhã. Foto: Isis Dantas Texto: Isis Dantas e Kelly Almeida

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